Aspectos sociodemográficos e clínicos de homens com lesão medular traumática em um centro urbano do nordeste brasileiro

Lorena Marques de Melo Santiago, Livane Caldas dos Santos Barbosa, Ricardo Oliveira Guerra, Francisco Ricardo Lins Vieira de Melo

Resumo


Introdução: A identificação das causas mais frequentes para o acometimento por lesão medular é de suma importância para os gestores de saúde no planejamento de ações de prevenção de acidentes dessa natureza em populações de risco. Objetivo: Caracterizar, de acordo com aspectos sociodemográficos e clínicos, uma amostra de homens com lesão medular, residentes na cidade de Natal (RN), Brasil. Métodos: Estudo transversal realizado com 48 indivíduos, nos quais foi utilizado um questionário estruturado e autoaplicável sobre aspectos sociodemográficos e clínicos. Os dados foram tratados e analisados através da análise quantitativa descritiva. Resultados: A média de idade foi de 33,38 anos (desvio padrão – DP=9,87), sendo a maioria solteira (37,5%), com renda de dois a quatro salários-mínimos (47,9%) e tendo como principal causa de lesão a arma de fogo (43,8%). A média do tempo de sequela foi de 9,35 anos (DP=8,16), com tempo mínimo de 3 meses e máximo de 36 anos, a maior parte encontrava-se entre 3 e 10 anos de lesão (41,7%). A sequela mais prevalente foi a paraplegia (66,7%). Conclusão: Os dados revelaram que os homens jovens são ainda os mais acometidos. Poucos deles voltam a trabalhar após a lesão e a maioria passa a depender de aposentadorias. Há ainda, uma tendência para o crescimento de lesões por arma de fogo, ultrapassando as lesões por acidentes de trânsito e por quedas.


Palavras-chave


traumatismos da medula espinal; perfil epidemiológico; saúde masculina

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DOI: https://doi.org/10.7322/abcs.v37i3.27

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