Comprometimento da força muscular respiratória no pósoperatório de cirurgia abdominal em pacientes oncológicos

Camila Gabriela Garcia Martins, Silvia De Cesare Denari, André Luís Montagnini

Resumo


Disfunções na musculatura respiratória podem ocorrer após cirurgia abdominal, com redução das pressões respiratórias máximas, induzidas por irritação, inflamação ou trauma próximo ao diafragma, alteração biomecânica local, inibição do reflexo de tosse e dor na ferida operatória. O objetivo foi avaliar a força muscular pré e pós-operatória em pacientes oncológicos submetidos à cirurgia abdominal. Para isto foi realizado um estudo prospectivo observacional, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital A. C. Camargo, em novembro de 2005, que avaliou a força muscular respiratória no pré e pós-operatório de pacientes oncológicos submetidos à cirurgia abdominal entre dezembro de 2005 e novembro de 2006. Entre os resultados: 46 pacientes foram avaliados e 18 foram incluídos na avaliação pós-operatória. Nove (50%) eram do sexo feminino. A idade média foi de 61,8 anos. As cirurgias foram realizadas na cavidade abdominal em 16 casos (89%) e toraco-abdominal em dois (11%). Os tipos de incisão mais comuns: mediana 11 (61%), transversa bilateral com prolongamento mediano cranial em 4 casos (22%). A média da PImax e PEmax avaliadas no pré-operatório foram de 57,16 cmH2O e 84,44 cmH2O, respectivamente. No 1º pós-operatório a PImax média foi de 29 cmH2O e PEmax média 16 cmH2O. Constatou-se uma importante redução na força muscular respiratória durante o período pós-operatório em relação ao valor basal no pré-operatório.

Palavras-chave


Pressão respiratória máxima; período pós-operatório; cirurgia abdominal; câncer

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