Efeitos dos exercícios funcionais e neuromusculares no tempo de internação e controle pressórico de pacientes hospitalizados

Murillo Frazão de Lima e Costa, Jefferson Petto, Vinícius Afonso Gomes, Lorena Silles dos Prazeres, Alan Carlos Nery dos Santos, Maria da Conceição Gomes Almeida, Fabiano Leichsenring Silva, Mateus Souza Esquivel, Francisco Tiago Oliveira de Oliveira

Resumo


Introdução: Exercícios funcionais e neuromusculares são importantes ferramentas em centros de reabilitação, porém são pouco explorados em protocolos hospitalares. Objetivo: Verificar se exercícios funcionais e neuromusculares são mais eficazes na redução do tempo de internamento e controle da pressão arterial (PA) dos indivíduos hospitalizados do que a fisioterapia hospitalar de rotina. Métodos: Foram incluídos pacientes hospitalizados por enfermidades não cardiológicas e sem hipertensão arterial sistêmica, sendo estes randomizados para grupo controle (GC), que realizou exercícios respiratórios, exercícios ativo-livres para membros superiores/inferiores e caminhada no corredor, ou grupo de reabilitação funcional (GRF), submetido a exercícios neuromusculares para membros superiores/inferiores, cicloergômetro e treino de subir/descer degraus. Ambos os grupos receberam intervenção 2x/dia. A PA foi aferida na admissão, durante o internamento e na alta hospitalar. O tratamento estatístico foi realizado adotando-se intervalo de confiança de 95% e nível de significância de 5%. Resultados: Avaliados 42 voluntários, dos quais 26 atenderam aos critérios de elegibilidade. Porém, seis foram excluídos, quatro por permanência hospitalar inferior a três dias e dois por não completarem o protocolo de tratamento. A média de idade no GC foi de 72±11 versus 73±8 no GRF. Não houve diferenças estatísticas da PA na admissão. Evidenciou-se redução da PA apenas no GRF durante o internamento (p<0,01), assim como na alta hospitalar (p<0,01). O GC apresentou maior tempo (dias) de internação 7,2±1,8 versus 5,5±1,3 do GRF (p<0,05). Conclusão: Exercícios funcionais e neuromusculares parecem mais eficazes na redução do tempo de internamento e controle da PA dos indivíduos hospitalizados do que a fisioterapia hospitalar de rotina.


Palavras-chave


serviço hospitalar de fisioterapia; pressão arterial; terapia por exercício; medicina física e reabilitação; tempo de internação

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DOI: https://doi.org/10.7322/abcshs.v40i1.701

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