Uso da corrente russa na reabilitação neurológica de paciente com traumatismo crânio encefálico: relato de caso

Arley Ribeiro de Castro, Rita di Cássia de Oliveira Angelo, Paulo Adriano Schwingel

Resumo


Introdução: O traumatismo cranioencefálico (TCE) é qualquer agressão capaz de lesão anatômica ou comprometimento funcional do couro cabeludo, crânio, meninges ou encéfalo, que pode causar importantes perdas cognitivas e motoras. Os principais mecanismos de trauma são os acidentes automobilísticos, quedas e as agressões físicas e/ou lesões por arma de fogo. Este estudo objetivou relatar os efeitos de um protocolo de intervenção fisioterapêutica que inclui o uso da Corrente Russa (CR) na reabilitação de um paciente com TCE. Relato de caso: Paciente do sexo masculino, 26 anos, mecânico, etilista crônico, diagnóstico médico de TCE e hemiparesia esquerda desproporcionada com predominância no membro superior, dependente de cadeira de rodas. A avaliação fisioterapêutica foi constituída de aferição de sinais vitais, avaliação dos reflexos superficiais e tendinosos e do tônus muscular, goniometria e teste de força muscular específico. Após avaliação inicial foi aplicado um protocolo de intervenção fisioterapêutico constituído de exercícios terapêuticos e eletroestimulação com CR, com frequência de duas sessões semanais de 50 minutos de duração, por um período de 16 semanas, seguidas de reavaliação. Conclusão: O protocolo de intervenção aplicado contribuiu para a reabilitação funcional do paciente, verificado pelo ganho de amplitude de movimento das articulações do punho, cotovelo, tornozelo e joelho esquerdos; e aumento na graduação de força muscular dos flexores e extensores do punho e do cotovelo, flexores e extensores do joelho e tornozelo esquerdos. Além disso, a deambulação independente foi restituída,
com retorno à atividade profissional.


Palavras-chave


fisioterapia; terapia por estimulação elétrica; lesões encefálicas traumáticas; reabilitação

Texto completo:

PDF

Referências


Almeida TLT, Falkenburg L, Nascimento RZR, Reis CA, Sales VC, Pedroso TD, et al. Traumatic brain injury: rehabilitation. Acta Fisiatr. 2012;19(2):130-7. http://dx.doi.org/10.5935/0104-7795.20120020

Dal Secchi MM, Moraes JFS, Castro FB. Fratura de osso temporal em pacientes com traumatismo crânio-encefálico. Arq Int Otorrinolaringol. 2012;16(1):62-6. http://dx.doi.org/10.7162/S1809-48722012000100009

Corrêa FI, Corrêa JCF, Tessarolo AA, Melo AS, Sampaio LMM,Costa MS, et al. Avaliação do ácido lático em indivíduos com hemiparesia pós-acidente vascular encefálico após estimulação elétrica para fortalecimento muscular. Fisioter Pesq. 2009;16(2):178-82. http://dx.doi.org/10.1590/S1809-29502009000200015

Abdalla DR, Bertoncello D, Carvalho LC. Avaliação das propriedades mecânicas do músculo gastrocnêmio de ratas imobilizado e submetido à corrente russa. Fisioter Pesq. 2009;16(1):59-64. http://dx.doi.org/10.1590/S1809-29502009000100011

Teive HAG, Zonta M, Kumagai Y. Tratamento da espasticidade: uma atualização. Arq Neuro-Psiquiatr. 1998;56(4):852-8. http://dx.doi.org/10.1590/s0004-282x1998000500025

Avila MA, Brasileiro JS, Salvini TF. Electrical stimulation and isokinetic training: effects on strength and neuromuscular properties of healthy young adults. Rev Bras Fisioter. 2008;12(6):435-40. http://dx.doi.org/10.1590/S1413-35552008005000006

Briel AF, Massoni J. Efeito da eletroestimulação por corrente russa e exercício de fortalecimento da força e trofismo muscular do quadriceps femoral não dominante. Rev Biol Saúde Unisep. 2009;3(1):34-45.

Bohannon RW. Manual muscle testing: does it meets the standards of an adequate screening test? Clin Rehabil. 2005;19(6):662-7. http://dx.doi.org/10.1191/0269215505cr873oa

Sousa RMC, Koizumi MS. Recuperação das vítimas de traumatismo crânio-encefálico no período de 1 ano após o trauma. Rev Esc Enf USP. 1996;30(3):484-500. http://dx.doi.org/10.1590/S0080-62341996000300010

Salvini TF, Durigan JLQ, Peviani SM, Russo TL. Efeitos da eletroestimulação e do alongamento muscular sobre a adaptação do músculo desnervado – implicações para a fisioterapia. Rev Bras Fisioter. 2012;16(3):175-83. http://dx.doi.org/10.1590/S1413-35552012005000027

Cunha AS, de Freitas Junior JHA, Lopes Junior JEG, Figueiredo ADJ. Intervenção da fisioterapia na lesão do plexo braquial através de FES e cinesioterapia. Rev Fisioter Saúde Func. 2013;2(1):62-8.

Meireles ALF, Meireles LCF, Queiroz JCES, Tassitano RM, Soares FO, de Oliveira AS. Eficácia da eletroestimulação muscular expiratória na tosse de pacientes após acidente vascular encefálico. Fisioter Pesqui. 2012;19(4):314-9. http://dx.doi.org/10.1590/S1809-29502012000400004

Ward AR, Shkuratova N. Russian electrical stimulation: the early experiments. Phys Ther. 2002;82(10):1019-30. http://dx.doi.org/10.1093/ptj/82.10.1019

Leung J, Harvey LA, Moseley AM, Whiteside B, Simpson M, Stroud K. Standing with electrical stimulation and splinting is no better than standing alone for management of ankle plantarflexion contractures in people with traumatic brain injury: a randomised trial. J Physiother. 2014;60(4):201-8. http://dx.doi.org/10.1016/j.jphys.2014.09.007

Artioli DP, do Nascimento ESP, dos Santos JC, Celeste LFN, Santini L, de Andrade Junior MC, et al. O uso da corrente polarizada na fisioterapia. Rev Bras Clin Med. 2011;9(6):428-31.




DOI: https://doi.org/10.7322/abcshs.v42i2.1012

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2017 Arley Ribeiro de Castro, Rita di Cássia de Oliveira Angelo, Paulo Adriano Schwingel

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.