Estresse oxidativo na interrupção da ventilação mecânica em pacientes vítimas de traumatismo cranioencefálico: um estudo randomizado e cego

Anderson Antunes da Costa Moraes, Luã Alves Araujo, Rodrigo Alcântara Carnevalli de Araújo, Rodrigo Santiago Barbosa Rocha, Leonardo Ramos Nicolau da Costa, Kéven Lorena de Paula Gonçalves, Gabriela Martins de Lima

Resumo


Introdução: Os efeitos tóxicos do oxigênio não estão bem estabelecidos em seres humanos. Objetivo: Analisar os níveis de estresse oxidativo (EOx) na interrupção da ventilação mecânica (VM) em pacientes vítimas de TCE. Métodos: Estudo prospectivo, longitudinal, analítico, randomizado e cego. Participaram 12 pacientes: PSV (n=6) e grupo Tubo-T (n=6). A interrupção da VM deu-se em: PSV- (Δ 7 cmH2O) e PEEP (5 cmH2O) durante 30 minutos; Tubo-T - o paciente foi conectado ao tubo T com FiO2 a 0,4 durante 30 minutos. Realizou-se avaliação morfológica do EOx no plasma sanguíneo pelo Dry layer oxidative test. A coleta foi realizada: com 24h de VM, antes do teste, em 15’ de teste e após o teste PSV ou Tubo-T. Para análise da normalidade utilizou-se o teste de Shapiro-Wilk para análise intragrupo e intergrupos, o teste ANOVA seguido de Tukey; para correlação-Correlação de Spearman (p valor 5%). Resultados: Não houve aumento estatisticamente significativo na descontinuidade da matriz extracelular nos grupos (p>0,05). Os níveis de EOx encontraram-se elevados (grau III–moderado) nas primeiras avaliações. Não foi encontrada correlação significativa entre os parâmetros de VM com o EOx. O grupo PSV permaneceu em média 12.33 dias sob VM, tendo EOx de 29.02 (grau III/ moderado) – r=0.8, p=0.01; o grupo Tubo T em média 12.83±2.2 dias, tendo EOx de 31.03±5.41 (grau IV/grave)- r=0.9, p=0.07. Conclusão: Não houve diferença no comportamento do EOx entre os métodos de interrupção da VM. No entanto, o EOx aumentou com o tempo de VM.


Palavras-chave


traumatismos craniocerebrais; estresse oxidativo; respiração artificial

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DOI: https://doi.org/10.7322/abcshs.v43i3.1118

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