“A dor e a delícia” do internato de atenção primária em saúde: desafios e tensões

Daniela Fontes Bezerra, Fernando Adami, Lígia de Fátima Nóbrega Reato, Marco Akerman

Resumo


Introdução: As Diretrizes Curriculares Nacionais para o curso de Medicina sinalizaram a necessidade de formar um médico capaz de atuar conforme as necessidades de saúde da população visando o fortalecimento do Sistema Único de Saúde. A implantação de um estágio, na área de Atenção Primaria à saúde, na Faculdade de Medicina ABC, resultou em uma reforma mais ampliada do internato médico. Objetivo: Identificar a percepção dos estudantes quanto a inserção do ciclo de Atenção Primária à Saúde (CAPS) no internato médico. Métodos: Estudo transversal que utilizou um questionário fechado, aplicados aos estudantes do 5º e 6º anos, totalizando 157 participantes, em 2011 abordando os aspectos teóricos e práticos do CAPS. Resultados: Chamou a atenção na comparação entre o 5º e 6º anos do Ciclo de Atenção Primaria à Saúde: o CAPS no 5º ano teve o maior número de quesitos respondidos com regular e fraco, enquanto que o 6º ano teve um grande número respondido com ótimo e bom. Observaram‑se diferenças marcantes quanto à percepção dos estudantes entre os aspectos abordados do CAPS entre os estudantes do 5º e 6º, com destaque para maior grau de satisfação com o 6º ano (UBS tradicional) do que com o 5º ano Estratégia de saúde da família (ESF). Conclusão: Há indícios de que os respondentes validaram a implementação do CAPS, mas ainda restam desafios e tensões quanto à estruturação e integração ensino e serviço.


Palavras-chave


educação médica; serviços de integração docente‑assistencial; internato e residência.

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DOI: https://doi.org/10.7322/abcshs.v40i3.790

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